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A província do Cunene não é rica do ponto de vista florestal. A maior parte do território é preenchido com bosque seco ou com um mosaico de bosque seco e savana, aparecendo na primeira uma formação típica de pequenos bosques de Colophospermum mopane (omutiati), importante para alimentação do gado nos períodos mais críticos, e de diversas espécies de acácias. A nordeste do município do Kuvelai localiza-se uma
formação de miombo, de transição entre a floresta aberta do centro e as
savanas do sul, onde se encontra o Pterocarpus angolensis (girassonde),
muito procurado pelo valor da sua madeira. De acordo com um estudo
realizado pelo Ministério da Agricultura em 1983, a superfície
florestal produtiva da Província do Cunene é estimada em 168 mil
hectares, o que corresponde a 7,1% do total da superfície florestal do
País, com um potencial de exploração anual de 3500 metros cúbicos, dos
quais apenas 70% são autorizados pelo Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural (MINADER). A província situa-se na zona dos
pastos doces, que mantêm a palatabilidade durante todo o ano e se
localizam em zonas de mais baixa altitude e pluviosidade inferior a 750
milímetros, o que lhe confere boas condições para criação de bovinos.
Encontram-se também formações de pastos acres, com realce para
Hyparrhenia spp e Andropogon spp, que perdem a palatabilidade no tempo
seco, localizados em zonas de altitude superior a mil metros, e outras
consideradas de pastos mistos, de altitudes médias e pluviosidade
compreendida entre 750 e 1000 milímetro.
A
irregularidade do clima conforma um sistema ecológico que se mantém num
equilíbrio pouco estável. Para isso contribui também o nível de pobreza
da população que se vê obrigada a recorrer ao abate de árvores para
consumo de lenha para combustível. As queimadas usadas para renovação
dos pastos na época seca contribuem igualmente para a degradação do
ecossistema quando não são devidamente controladas. Em toda a província
do Cunene o homem, para sobreviver, necessita de encontrar um
equilíbrio adequado entre as escassas disponibilidades de água e de
pastagens, o que só é possível pelo conhecimento empírico e secular que
as populações têm do ambiente em que vivem e trabalham e pelo domínio
dos sistemas de produção que praticam, o que é dificultado pela
escassez e irregularidade das chuvas, quer ao longo de cada ano, quer
ao longo dos anos. Flora
A
vegetação distribui-se em duas zonas da província. A Norte da
província, onde as precipitações são mais elevadas com a instalação de
espécies de maior porte como, o girassonde, mussibi, jubernadia
paniculada, brachistegia spiciformis, gongo nombé e diversas figueiras.

A Sul, as precipitações são menores, áreas cada vez
mais secas em que a vegetação lenhosa se torna escassa e vai reduzindo
o porte, adquirindo aí as comunidades vegetais, feição típica de
estepes com arbustos colophospermunr mopane (mutchaty), acácias
diversas, diospiros nespiros, mespiliformis (mnhandi), berchamia
discolor (nombé), solerocaria birrea (gongo) e entandrofhragma caudatum
(mutaco).
Fauna
Os animais
que mais abundam na região do Cunene são os mamíferos, com grande
incidência no Parque Nacional da Mupa (660.000 het.) devido a
existência de mabecos, hienas malhada, leão, leopardo, elefante,
zebra-da-planície, hipopótamo, potamochero, girafa, gunga, palanca
vermelha, caama, impala, avestruz e bambi. |
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Características
Capital: Ondjiva Área: 87 342 km2 População: 230 000 habitantes Clima: tropical seco Distâncias em km a partir de Ondjiva: Luanda 1424; Lubango 415; Indicativo telefónico: 265 Agricultura: milho, massango, massambala, feijão Minerais: ferro, cobre Outros produtos: peixe
O último rei Kwanyama, o célebre Mandume, na defesa do seu território enfrentou o poderio militar dos portugueses já na primeira década do Séc XX. A província do Cunene foi fundada no dia 10 de Julho de 1970.
A história e o meio humano
A história da região do Cunene não é muito conhecida no que se refere ao passado mais distante. Os historiadores referem que os povos bantu que hoje predominam no território terão vindo provavelmente da Africa Oriental e formaram estados mais ou menos centralizados onde, a partir do século XIX, ganhou importância o comércio de marfim e de escravos, que proporcionou, entre outras coisas, a introdução de armas de fogo. Mas foi também a partir dessa época que o território se tornou cobiçado por portugueses, ingleses e alemães, e, mais tarde, por sul-africanos.
Foi já com os sul-africanos a administrar a colónia do Sudoeste Africano (antigo nome da actual Namíbia), que foi fixada a fronteira definitiva de Angola na parte sul, que segue em linha recta entre os rios Kubango e Cunene, no ano de 1926. Entretanto, os portugueses haviam conquistado o último reino bantu que passou a integrar o território angolano - o Kwanyama - após a célebre batalha de Môngua. Talvez por tal razão, no imaginário dos angolanos Cunene hoje ainda está ligado a Kwanyama. Mas os Kwanyama representam apenas um subgrupo do grupo etnolinguístico dos Ovambo, que habitam também no norte da Namíbia e ficou, assim, dividido pela linha de fronteira.
Este factor de ordem étnica e cultural, a continuidade morfológica do território, as semelhanças ambientais, o uso comum das águas do rio Cunene e a história recente fazem com que a vida económica e social das populações da província do Cunene seja hoje bastante influenciada pela Namíbia e, em particular, pelas populações do norte desse país. A aprendizagem de novas técnicas e de ofícios como pedreiros, serralheiros, electricistas, motoristas, entre outros, reflectem tal influência. Para além dos Ovambo, representados em Angola principalmente pelos Kwanyama e Ombadja, habitam a província outros povos de diferentes grupos etnolinguísticos. Em importância numérica seguem-se-lhes os Vahumbi (ou Nyaneka-Humbi, como alguns autores os designam), que habitam tradicionalmente a província da Huíla mas estão representados no Cunene por alguns subgrupos como os Vandonguena, Vahinga e Vahanda, e que são igualmente agropastores e aparentados com os Ovambo, distinguindo-se no entanto pela língua, por aspectos culturais (festas, ritos, danças), pelas formas de vestir, pelo uso de diferentes técnicas (construção, agricultura). Na parte sudoeste da província (Kuroca e Kahama) encontram-se também subgrupos do grupo Vahelelo (Va-ximba, Va-ndimba e Vakuvale), que são fundamentalmente pastores. Ainda no século XIX chegaram ao território populações Cokwe, mais tarde Ngangela e, nas últimas décadas, Ovimbundu, com especial incidência depois do início da guerra civil. Todas estas populações dedicam-se fundamentalmente à agricultura e os últimos, como se verá adiante, também ao comércio. Alguns milhares de pessoas de grupos não-bantu habitam também no Cunene e dedicam-se fundamentalmente a actividades de recolecção.
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Os 6 Municípios que compõem a Província são:
- Cahama,
- Cuanhama,
- Curoca,
- Cuvelai,
- Namacunde,
- Ombadja.
Os Municípios estão distribuídos numa extensão de 87 342 Km ². |
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As 28 Comunas que compõem a Província são: - Bangula,
- Cacite,
- Castilhos,
- Chitado,
- Evale,
- Humbe,
- Kafima,
- Kahama,
- Kalonga,
- Kuvati,
- Kuvelai,
- Môngua,
- Mukope,
- Mupa,
- Namakunde,
- Naulila,
- Ombala yo Mungu,
- Ondjiva,
- Oximolo,
- Shiede,
- Xangongo,
- Nehone Cafima,
- Evale,
- Simporo,
- yonde,
- Xagongo,
- Oncócua,
- Otthinjau
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Fortaleza Fortes Roçadas no Xangongo que no passado colonial serviu de base militar para ataques e ocupação das áreas do sul do Xangongo. Monumento do Mufillo, que simboliza os grandes
combates e as vitórias do Rei Mandume coajuvado pelo Rei Tchetekela do
Cuamato contra os portugueses no século XIX. . Monumento
Vau-do-Penbe, que simboliza a memória dos portugueses aí tombados no
acto da travesia ao rio Cunene devido a resistência dos nacionalistas. Complexo
Memorial do Rei Mandume Localiza-se no município de Namacunde, a 42
quilómetros de Ondjiva. O recinto está cercado de paus, que simbolizam
o heroísmo do povo Kwanyama.  Ombala
Grande - local histórico onde estão sepultados os Reis. Foi o Centro
Político do reino Kwanyama onde viveram os 11 Reis, excepto o rei
Mandume por não estar circuncidado na altura. |
A língua nacional mais falada na província é o Kwanhama.
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