Info-Angola

Você está aqui: Início País/Províncias Huíla
  • Decrease font size
  • Default font size
  • Increase font size
Huíla
Clima PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A Huíla encontra-se praticamente toda localizada na zona de climas alternadamente húmidos e secos das regiões intertropicais de ventos alisados, com excepção do Sul e do Sudoeste da província, onde é nítida a influência da zona das calmarias tropicais. O clima é em geral quente ou tropical (temperatura média anual maior que 20ºC), mas nas áreas situadas a maior altitude pode ser classificado como temperado (temperado - quente), como, por exemplo, se verifica nos postos da Humpata (17,2ºC), Tchivinguiro (17,8°C), Lubango (18,6ºC), Kuvango (19,5ºC), Quipungo (19,6°C) e Caconda (20,0ºC). 

Se seguirmos a isotermica anual dos 23ºC (2), constata-se que esta linha segue muito próxima do degrau de separação entre as peneplanícies IV e III, ficando a oeste e sul as áreas de clima megatérmico e a leste às regiões de climas mesotérmicos.O mês mais frio é o de Julho (excepcionalmente o de Junho) e o mais quente o de Outubro ou Novembro, sendo a temperatura média do mês mais quente superior a 22ºC, com excepção dos postos do Lubango, Humpata e Tchivinguiro.

A amplitude da variação anual da temperatura do ar é inferior a 10ºC. São raros os registos de temperaturas mínimas inferiores a 0°C, se bem que se possam verificar uma vez por outra temperaturas excepcionalmente baixas.


01 huila vila 2006    Acesso Cascata
PRECIPITAÇÃO

A precipitação média anual, assim como o período chuvoso e ainda o número total médio de dias de chuva, pouco significado têm, a não ser que se indique qual a sua distribuição e intensidade durante o ciclo vegetacional em causa. Além disso não são as médias que mais interessam, mas sim o que sucede pelo menos em 80 por cento dos anos, para que se tenha uma  razoável probabilidade de êxito.

Os dados recolhidos são de há mais de 25 anos mas espera-se que não tenham ocorrido variações climáticas importantes e que estes ainda tenham alguma utilidade.

A quantidade de precipitação cresce de oeste para leste e de sul para norte, em virtude do relevo. As regiões de menor pluviosidade estão localizadas no extremo sudoeste da província (Curoca), onde a altura pluviométrica anual média é inferior a 500 mm, e as de maiores precipitações anuais no canto nordeste (norte das Ganguelas), com alturas superiores a 1200 mm. De modo geral, não se pode dizer que seja muito elevada a precipitação na Huíla, pois só em pouco menos de um terço da sua superfície a altura pluviométrica anual é, em média, superior a 1000 m.

A estação das chuvas é de curta duração no Sul (quatro meses — de Dezembro a Março —, sendo os meses de Abril e Novembro de transição) e um pouco mais longa no Norte (cinco meses - Novembro a Março —, com Abril e Outubro como meses de transição) e principalmente no Noroeste (a época húmida vai de Novembro a Abril, sendo Maio e Setembro de transição). Com excepção do Noroeste da Huíla, onde se nota um pequeno cacimbo em Dezembro ou Janeiro, as chuvas apresentam apenas um máximo em Janeiro, Fevereiro ou Março.

O estudo dos dados recolhidos indica que a realidade é que 4 vezes em cada cinco anos a precipitação é inferior à média anual e essa diferença para menos é tanto mais sensível quanto mais seco for o clima da região. A precipitação obtida 4 vezes em cada 5 anos reflecte a precipitação com uma probabilidade de ocorrência igual a 80%.

A um ano chuvoso correspondem, em regra 4 anos em que as chuvas atingem níveis inferiores à média anual. Note-se que a região correspondente à queda pluviométrica de 400 mm subiu para norte ocupando agora mais de 50% do município dos Gambos e ainda o sul do município da Chibia.

O número médio anual dos dias de chuva varia entre 40 no Sul da província (município dos Gambos) e mais de 100 dias por ano de chuva em Caconda. Os dados analisados mostram ainda que 4 anos em cada 5 se registou uma redução em relação ao número médio anual de dias de chuva, redução essa que é de 15 a 20 dias nas regiões com precipitações anuais médias superiores a 500 m; para as regiões com quedas pluviométricas médias anuais compreendidas entre 400 e 500mm essa diminuição não é tão acentuada.

As precipitações anuais em baixa obtidas uma vez em cada dez anos reflectem um acontecimento com menos de dez por cento probabilidade de acontecer.

Só uma vez em cada 5 anos o valor da precipitação anual ultrapassa a respectiva média e em relação aos climas áridos e húmidos essas diferenças são proporcionalmente menores que as encontradas para os climas semi-áridos e sub-húmidos. No Município dos Gambos, num período de 5 anos em 4 deles, a pluviosidade é superior a 400 mm, valor que é idêntico à menor pluviosidade ocorrida num período de 10 anos, ou seja, chove pouco mas pelos dados analisados chove quase sempre. Do mesmo modo no Norte da província, os Municípios de Chicomba, Chipindo, Caconda e Caluquembe apresentam valores pluviométricos elevados com elevada probabilidade de acontecer, mesmo nos anos difíceis chove sempre bem.

As regiões de transição e as terras altas da Huíla, a flutuação da precipitação torna menos previsível o que poderá acontecer.


CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA

Como regra, a humidade relativa média anual é baixa na Huíla, andando em geral à volta dos 50 %, apresentando os meses da época das chuvas valores mais elevados (60/70%, em alguns postos mesmo 80%) e os do cacimbo valores baixos (30/45%) ou mesmo ainda muito baixos ( menos de 30%).Segundo a classificação de Koppen, o clima do extremo sul e do centro noroeste é do tipo B S w, tendo o Norte da província clima do tipo CW; aparece além disso uma pequena faixa de clima AW a noroeste da escarpa que vai do Lubango a Chicuma.

Para norte do paralelo 15° e leste do meridiano 14° (do meridiano 13° 30' entre os paralelos 14° e 15°), o clima é húmido segundo a classificação racional de Thornthwaite, predominando o tipo B1 B'2/4 w a' (no Norte encontra-se uma pequena mancha de B. B'4. w a'). Para sul e oeste desta mancha encontram-se climas menos húmidos, segundo faixas aproximadamente paralelas cuja largura aumenta progressivamente à medida que se caminha para os limites da província.

A faixa de clima sub-húmido chuvoso — do tipo C2 B'4. w a— é muito estreita, sendo bastante mais extensa a área de clima sub-húmido seco (dos tipos Cl B'4 w a', Cl B'4 d a' e Cl A' d a'). O clima semiárido — D A' d a'— encontra-se só no Sul da província, tendo a faixa por ele ocupada maior largura no Sudoeste (Curoca).


REDE PROVINCIAL DE METEOROLOGIA

Os serviços de meteorologia são enquadrados pelo Instituto Nacional de Meteorologia - INAMET que tem uma delegação na cidade do Lubango.

Comparativamente ao ano anterior, pode-se considerar que a actividade desenvolvida pela Direcção e demais Técnicos do INAMET foi regular, atendendo à montagem de novos equipamentos nomeadamente: Barómetro, o Anemómetro, o Transreceptor, o Psicómetro, Termómetros de Profundidade, Udómetro e outros meios de apoio.

Os trabalhos prestados pelo INAMET, resumiam-se na elaboração de observações meteorológicas para áreas de Aeronáutica, Climatologia e Sinóptica, bem como registo de mapas e elaboração de boletins agrometerológicos para a Agricultura, Gabinete de Segurança Alimentar — Luanda, instituições humanitárias e outras solicitações como a Rádio e TPA, etc.

A única estação meteorologia em funcionamento é a do Lubango, junto ao aeroporto da cidade.

 
Vegetação PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
A vegetação Huilana varia bastante em função dos factores de que depende como, o clima, o tipo de solo e a acção do homem. Assim destaca-se vegetação como: florestas abertas (brachystegia e julbernardia), mata densa (vegetação xerofíticas), balsedos, formação depseudo-estepe, e vegetação constituída por estratos herbosos  muito raras em que a espécie predominante é a loudetia simplex.

FAUNA
Image
Destacam-se na província o elefante, leão, palanca, olongo, guelengue e o búfalo.

Importa  frisar a existência do parque Nacional do Bicuar e da reserva florestal do Guelengue e Dondo.

Predominam na Huíla as formações lenhosas da Hiemilignosa, desde formações de aparência xerofítica a formações sub-higrofíticas ou mesmo higrofíticas. Das diversas formações que Gossweiler considera na Hiemilignosa, duas grandes unidades se destacam, a primeira constituída pelos povoamentos da zona da ordem florístico-sociológica da "Adansonia digitata"1 nas regiões de clima semiárido a sub-húmido seco e a segunda pela mata de panda — comunidade Berlinia — Brachystegia — Combretum - nas regiões de clima húmido. Na zona fitogeográfica da "Adansonia digitata", a principal formação é a do mato de Colophospermum Mopane (mutiati), que ocupa a maior parte da província ao sul do paralelo 15º 30' com excepção da grande mancha de areias entre os vales dos rios Caculuvar e do Cunene a não ser já muito próximo dos vales.

Ao longo dos vales do Caculuvar (a jusante da Chibemba) e na região do Chongoroi — Impulo encontram-se formações importantes em que a "Adansonia digitata" é dominante.

No Nordeste da província (principalmente em Caconda e nas Ganguelas) e nas áreas a maior altitude à volta do Lubango (com excepção dos pontos mais altos da Humpata), o terreno está coberto pela mata de panda, nome por que são conhecidas as associações de espécies dos géneros Berlinda, Brachystegia e Combretum, acompanhadas por espécies de Burkea,. Baphia, Swartia, Maprounea, Parinari e Monotes. A composição destas matas e ainda o seu aspecto ou fisionomia periódica variam bastante de região para região, sendo no entanto em geral decíduas (cito - ou tardidecíduas) ou às vezes subdecíduas.

Encravadas no meio destas formações, encontram-se formações de Durilignosa (as mais notáveis das quais na Huíla são as comunidades de Brachystegia tamarindoides e Cryptosepalum pseudotaxus das Ganguelas) e várias manchas de Terriherbosa (e savanas de diversos tipos) e de Ericifruticeta (anharas de ongote). Entre as zonas da mata de panda e do mato de mutiati encontra-se uma faixa de Hiemilignosa designada na Carta Fitogeográfica por "Mato de elementos vários com diversas espécies do género Acácia disseminadas". São várias as associações que caracterizam este mato, onde predominam espinheiras ou árvores ou arbustos micrófilos, quase todo o ano sem folhas.

No cimo do planalto da Humpata e nos pontos mais elevados da serra da Chela junto do Lubango, a vegetação é constituída por fragmentos de Altherbosa e nas ravinas das elevações da Humpata por agrupamentos de reduzida extensão de Podocarpus.

Vulgarmente conhecida em Angola por embondeiro. Adansonia digitata L da família: bombacaceae. Árvore de grande porte e impacto visual, devido ao tamanho de seu tronco, que pode alcançar até 20m de circunferência. Possui flores brancas e suas sementes podem ser utilizadas na fabricação de canoas e de cabanas.

A casca é usada na manufactura de vários artigos de uso pessoal e a madeira, muito aproveitada para certas construções, embora possua pouco valor quando não é tratada contra os insectos.
Continuar...
 
Solos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

 No que se refere aos solos encontram-se na província da Huíla cinco tipos principais.

  • Os Ferralíticos que representam 3/4 dos solos da região. Com uma coloração entre o amarelo e o vermelho, são caracterizados pela forte lixiviação das bases (os metais bivalentes e mono valentes como Cal e Potássio), portanto, são carentes de minerais de argila de boa qualidade e de substância orgânica; há falta de esqueleto; há falta de estrutura por causa da textura rica de areia e caulino; há boa permeabilidade. No cultivo, precisam de estrume em abundância ou adubo químico, rotações, pousio etc. Média ou boa capacidade produtiva. Podem apresentar concreções lateríticas no perfil, constituindo bancadas mais ou menos duras, negativas para agricultura. Óptima atitude para pecuária.
  • Os Fersialíticos, com grau de saturação em bases ( >50 %) e capacidade de troca catiónica, superiores às dos ferralíticos. No aspecto físico manifestam uma consistência com tendência para o endurecimento quando exposto ao ar, precisando-se por isso de muito cuidado no cultivo. Encontram-se na faixa sub planáltica e na transição para o clima semi-árido. Por efeito das boas características físico-químicas e média capacidade de retenção de água, pode-se atingir nestes terrenos produções elevadas com muitas culturas. Estes solos têm ocorrência normal na faixa meridional e sudoeste da província.
  • Os Paraferralíticos que apresentam, face a um menor grau de evolução do que os ferralíticos, pequenas quantidades de boa argila (2:1), um grau de saturação em bases mais elevado e melhor estrutura. São férteis. São solos que relacionam-se com climas húmidos e formas de relevo movimentado. Encontram-se só no Nordeste da província (Quilengues), respondem bem a cultivos esgotantes, corno o milho, o algodão e etc.
  • Os Psamíticos e cromopsômicos, que se relacionam com os depósitos arenosos de cobertura, de textura sempre grosseira. Geralmente pouco férteis, têm interesse sobretudo corno pasto.
  • Os Solos Argilosos, que correspondem aos Barros Negros do Sul da província, que têm larga representação em todo Sudoeste de Angola, são os solos que têm a mais elevada capacidade de retenção de água e por consequência, a mais elevada capacidade produtiva, se cultivados racionalmente. Perto dos rios, podem aproveitar do regadio para produções de renda. Chamados Black cotton soil em inglês, podem oferecer boas produções com quase todas culturas herbáceas, nomeadamente com cereais e algodão.
 
Hidrografia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

ImageUma bacia hidrográfica — a do rio Cunene — domina largamente a província, ocupando quase dois terços da sua área. Nascendo perto do Huambo, o rio Cunene atravessa a província da Huíla com direcção geral norte - sul, dividindo-a aproximadamente a meio, atravessa a província do Cunene, para no extremo sul inflectir para oeste, servindo a partir das cataratas do Ruacaná de fronteira com a Namíbia. De regime permanente, mas muito variável, são enormes os caudais de cheia na época das chuvas e diminutos os caudais na estiagem, principalmente nos anos muito secos.


Ao longo do seu curso são frequentes os rápidos e as cataratas, das quais as mais importantes são a cachoeira da Matala, a catarata do Ruacaná e as quedas do monte Negro. Os principais afluentes são, na margem esquerda, o rio S. Sebastião (e o seu afluente Cussava), o Cubangue, o Oci e o Chitanda, Calonga ou Colui e, na margem direita, o rio Cutenda (e seu afluente Catape), o Qué, o Sendi ou Calonga, o Caculuvar (que, pelo menos no curso inferior, é um rio de regime intermitente e ao qual vai dar a mulola Mucope), o Chitado e o rio dos Elefantes (com o seu afluente Chabicua).

O Cubango é outro grande rio que tem parte da sua bacia hidrográfica na província da Huíla. Nasce perto do Kuvango e corre até ao paralelo da Kuvango com direcção geral sensivelmente norte - sul, inflectindo então para sudoeste. Entre aproximadamente Kuvango e Caiundo serve de limite leste à província, separando-a do Bié — Cuando Cubango. O Cubango é um rio de regime permanente, mas com grandes variações de caudal ao longo do ano.

No troço compreendido entre Kuvango e Caiundo são frequentes os rápidos e as cachoeiras.

Na sua margem esquerda tem como principal afluente o rio Cutato das Ganguelas, cujo curso é quase paralelo ao do Cubango, e que a norte da confluência é limite da província. Na margem direita os principais afluentes são o Bale e o Tandaué, que em parte do seu curso serve também na linha de separação da província da Huíla.

Entre as bacias hidrográficas do Cunene e do Cubango, que a norte do paralelo 15º contactam uma com a outra, encontra-se a sul deste paralelo a bacia do Cuvelai. Este rio, de regime intermitente, tem curso definido apenas para norte do Evale, pois para sul as águas de cheia escoam-se por um sistema de canais — as chanas do Baixo Cunene - que seguem para a Etocha Pan, não correndo água alguma durante a estiagem. No curso superior, o Cuvelai recebe água de alguns afluentes, e no curso médio e inferior, durante a época das chuvas, de algumas mulolas, a mais importante das quais é a Mui.

No sudoeste da Huíla encontra-se a bacia do rio Curoca (nome do curso médio e inferior, este já na província do Namibe), de regime intermitente e que tem como principal afluente o Otchifengo. A bacia hidrográfica do Curoca ocupa o extremo noroeste da província.

O rio Coporolo cujo curso superior do rio separa a Huíla da província de Benguela, é um rio de regime permanente. Tem como afluentes na margem esquerda os rios Handja e Impulo.

As bacias hidrográficas que se referiram são as mais importantes da Huíla.

O escoamento das águas meteóricas recebidas na província faz-se principalmente para o oceano Atlântico, onde têm a sua foz os rios Cunene, Curoca e Coporolo. Quanto ao Cubango, as suas águas seguem também para o Kalahari, desaparecendo do mesmo modo por endoreísmo numa complexa rede de depressões formada pelos pântanos do Cubango (Okovango Swamps), o lago Ngami e a depressão Makarikari (Makariakri Pan).
Continuar...
 
Geologia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Todo o território da Huíla se encontra no maciço continental, onde se podem ainda distinguir o soco fundamental (e as rochas eruptivas antigas) e as formações sedimentares continentais.

Os terrenos antigos ocupam cerca de dois terços da área da província (o Norte e o Ocidente), sendo principalmente constituídos por terrenos agnostozóicos "Complexo de base", "Sistema do Oendolongo", "Granitos, granodioritos e quartzodioritos", "Noritos, gabros e peridotitos" e "Sistema do Bembe" ) e por terrenos paleozóicos ("Rochas eruptivas pós-Sistema do Bembe", antepérmicas ), apoiando?se, em geral, a leste daqueles.

Encravados em terrenos antigos, aparecem alguns afloramentos de rochas eruptivas mesocenozóicas (principalmente doleritos e basaltos). As formações sedimentares continentais são constituídas por arenitos ferruginosos, silicificados e calcários, recobertos por mantos de areias de origem eólica ("Recente, Pleistocénico e Kalahari superior" ).

Os terrenos mais antigos são formados por rochas sedimentares ou eruptivas altamente metamorfizadas do Complexo de base, tais como gneisses e xistos (no Cunene) ou quartzitos e quartzitos ferruginosos (em Cassinga) e do Sistema do Oendolongo, predominando neste caso as formações do grupo de natureza siliciosa, quartzitos ferruginosos do tipo banded ironstone, quartzitos e grés, e ainda xistos e quartzitos pré-cambricos (Ovicapa).

As rochas ígneas antigas são de idade posterior à das formações sedimentares acabadas de referir, sendo de destacar as grandes intrusões dos granitos, granodioritos e quartzodioritos, que constituem o grande batólito do planalto central de Angola e a intrusão gabro-anortosítica. As rochas destas intrusões têm sido objecto de vários estudos , mas a delimitação da mancha de gabros e anortositos , nas cartas ou esboços até a data publicados , não se pode ainda considerar aceitável, tendo-se verificado durante o trabalho de campo a necessidade de corrigir os seus limites, nomeadamente na região do Pocolo, no Chiconco e no Luceque.

Dentro das rochas ígneas antigas há ainda a referir a existência de alguns afloramentos de granitos alcalinos (no Otchinjau, por exemplo) e diversos afloramentos de doleritos.

O Sistema do Bembe é formado por várias séries de rochas sedimentares consideradas como pré-cambricas, assentando sobre os granitos antigos (na Chela) ou sobre o Complexo de base (no Cunene). A maior mancha deste sistema aparece na Humpata, onde predominam as rochas gresosas (grés e quartzitos), e os calcários dolomíticos, tendo também sido assinalada a ocorrência de xistos, todas estas formações cartografadas como pertencendo à série xisto — calcária. Das outras manchas do Sistema do Bembe, a da Cahama — Ediva e a do Cunene (Iacavala) são pouco importantes e constituídas por xistos, grés e conglomerados (só nesta última), e na do Curoca, já bastante extensa, predominam rochas essencialmente gresosas (grits, grés, quartzitos e por vezes xistos). Esta última mancha prolonga-se para norte do rio Curoca e inflecte, segundo as cartas existentes, para leste, aproximando-se do Pocolo, enquanto que para oeste desta povoação (cerca de 15 km) encontram-se granitos e gneisses.

Das rochas ígneas pós-Sistema do Bembe há a referir diversos afloramentos intrusivos de doleritos através de rochas deste sistema (na Humpata) ou mesmo através dos granitos do Complexo de base.

A idade destes doleritos foi considerada como antepérmica, quer por Mouta & O'Donnell, quer por Mouta, mas em publicação posterior deste último autor admite-se idade mais recente, possivelmente mesocenozóica. Outros afloramentos de doleritos e rochas afins foram cartografados nas regiões de Cassinga e Indungo.

No vale do Cunene, junto de Capelongo, em volta de Cassinga e no vale do Cubango, perto do Caiundo, encontram-se grandes manchas de porfiritos e pórfiros (granofíricos, riolíticos e tonalíticos), rochas estas que aparecem também em outras pequenas manchas a leste do Lubango, a oeste da Chibia e junto da Missão da Mupa. Em Cassinga ocorrem também grandes massas e filões de quartzo.

Na região do Curoca são frequentes afloramentos de doleritos que se admitem mesozóicos. Desta idade são também considerados os afloramentos de sienitos do Pocolo e da região ao norte de Kuvango, e os afloramentos de basaltos e/ou doleritos de Impulo, Chongoroi, Quilengues e Capelongo — Matala. A extensão atribuída na carta geológica aos afloramentos das três primeiras regiões agora referidas está muito exagerada. Quanto à idade das manchas de rochas melanocratas de Capelongo — Matala, ela é considerada Karroo por Mouta & O'Donnell ou mesmo pós - Karroo por Montenegro de Andrade.

As formações sedimentares continentais ocupam o canto sudeste da província e são constituídas por areias do andar superior do Sistema do Kalahari e arenitos ferruginosos, silicificados e calcários, recobertos por areias de origem eólica, incluindo areias do Kalahari redistribuídas.

 
Recursos Minerais PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A província é rica em, Ferro, Ouro, Caulino, Diamantes, Manganês, Mica, Granito Negro e água mineral.

 
<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 Seguinte > Final >>

Pág. 2 de 6