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A Huíla encontra-se praticamente toda localizada na zona de climas alternadamente húmidos e secos das regiões intertropicais de ventos alisados, com excepção do Sul e do Sudoeste da província, onde é nítida a influência da zona das calmarias tropicais. O clima é em geral quente ou tropical (temperatura média anual maior que 20ºC), mas nas áreas situadas a maior altitude pode ser classificado como temperado (temperado - quente), como, por exemplo, se verifica nos postos da Humpata (17,2ºC), Tchivinguiro (17,8°C), Lubango (18,6ºC), Kuvango (19,5ºC), Quipungo (19,6°C) e Caconda (20,0ºC).
Se seguirmos a isotermica anual dos 23ºC (2), constata-se que esta
linha segue muito próxima do degrau de separação entre as peneplanícies
IV e III, ficando a oeste e sul as áreas de clima megatérmico e a leste
às regiões de climas mesotérmicos.O mês mais frio é o de Julho
(excepcionalmente o de Junho) e o mais quente o de Outubro ou Novembro,
sendo a temperatura média do mês mais quente superior a 22ºC, com
excepção dos postos do Lubango, Humpata e Tchivinguiro.
A
amplitude da variação anual da temperatura do ar é inferior a 10ºC. São
raros os registos de temperaturas mínimas inferiores a 0°C, se bem que
se possam verificar uma vez por outra temperaturas excepcionalmente
baixas.
PRECIPITAÇÃO
A
precipitação média anual, assim como o período chuvoso e ainda o número
total médio de dias de chuva, pouco significado têm, a não ser que se
indique qual a sua distribuição e intensidade durante o ciclo
vegetacional em causa. Além disso não são as médias que mais
interessam, mas sim o que sucede pelo menos em 80 por cento dos anos,
para que se tenha uma razoável probabilidade de êxito.
Os
dados recolhidos são de há mais de 25 anos mas espera-se que não tenham
ocorrido variações climáticas importantes e que estes ainda tenham
alguma utilidade.
A quantidade de precipitação cresce de oeste
para leste e de sul para norte, em virtude do relevo. As regiões de
menor pluviosidade estão localizadas no extremo sudoeste da província
(Curoca), onde a altura pluviométrica anual média é inferior a 500 mm,
e as de maiores precipitações anuais no canto nordeste (norte das
Ganguelas), com alturas superiores a 1200 mm. De modo geral, não se
pode dizer que seja muito elevada a precipitação na Huíla, pois só em
pouco menos de um terço da sua superfície a altura pluviométrica anual
é, em média, superior a 1000 m.
A estação das chuvas é de
curta duração no Sul (quatro meses de Dezembro a Março , sendo os
meses de Abril e Novembro de transição) e um pouco mais longa no Norte
(cinco meses - Novembro a Março , com Abril e Outubro como meses de
transição) e principalmente no Noroeste (a época húmida vai de Novembro
a Abril, sendo Maio e Setembro de transição). Com excepção do Noroeste
da Huíla, onde se nota um pequeno cacimbo em Dezembro ou Janeiro, as
chuvas apresentam apenas um máximo em Janeiro, Fevereiro ou Março.
O
estudo dos dados recolhidos indica que a realidade é que 4 vezes em
cada cinco anos a precipitação é inferior à média anual e essa
diferença para menos é tanto mais sensível quanto mais seco for o clima
da região.
A precipitação obtida 4 vezes em cada 5 anos reflecte a precipitação com uma probabilidade de ocorrência igual a 80%.
A
um ano chuvoso correspondem, em regra 4 anos em que as chuvas atingem
níveis inferiores à média anual. Note-se que a região correspondente à
queda pluviométrica de 400 mm subiu para norte ocupando agora mais de
50% do município dos Gambos e ainda o sul do município da Chibia.
O
número médio anual dos dias de chuva varia entre 40 no Sul da província
(município dos Gambos) e mais de 100 dias por ano de chuva em Caconda.
Os dados analisados mostram ainda que 4 anos em cada 5 se registou uma
redução em relação ao número médio anual de dias de chuva, redução essa
que é de 15 a 20 dias nas regiões com precipitações anuais médias
superiores a 500 m; para as regiões com quedas pluviométricas médias
anuais compreendidas entre 400 e 500mm essa diminuição não é tão
acentuada.
As precipitações anuais em baixa obtidas uma vez em
cada dez anos reflectem um acontecimento com menos de dez por cento
probabilidade de acontecer.
Só uma vez em cada 5 anos o valor
da precipitação anual ultrapassa a respectiva média e em relação aos
climas áridos e húmidos essas diferenças são proporcionalmente menores
que as encontradas para os climas semi-áridos e sub-húmidos. No
Município dos Gambos, num período de 5 anos em 4 deles, a pluviosidade
é superior a 400 mm, valor que é idêntico à menor pluviosidade ocorrida
num período de 10 anos, ou seja, chove pouco mas pelos dados analisados
chove quase sempre. Do mesmo modo no Norte da província, os Municípios
de Chicomba, Chipindo, Caconda e Caluquembe apresentam valores
pluviométricos elevados com elevada probabilidade de acontecer, mesmo
nos anos difíceis chove sempre bem.
As regiões de transição e as terras altas da Huíla, a flutuação da precipitação torna menos previsível o que poderá acontecer.
CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA
Como
regra, a humidade relativa média anual é baixa na Huíla, andando em
geral à volta dos 50 %, apresentando os meses da época das chuvas
valores mais elevados (60/70%, em alguns postos mesmo 80%) e os do
cacimbo valores baixos (30/45%) ou mesmo ainda muito baixos ( menos de
30%).Segundo a classificação de Koppen, o clima do extremo sul e do
centro noroeste é do tipo B S w, tendo o Norte da província clima do
tipo CW; aparece além disso uma pequena faixa de clima AW a noroeste da
escarpa que vai do Lubango a Chicuma.
Para norte do paralelo
15° e leste do meridiano 14° (do meridiano 13° 30' entre os paralelos
14° e 15°), o clima é húmido segundo a classificação racional de
Thornthwaite, predominando o tipo B1 B'2/4 w a' (no Norte encontra-se
uma pequena mancha de B. B'4. w a'). Para sul e oeste desta mancha
encontram-se climas menos húmidos, segundo faixas aproximadamente
paralelas cuja largura aumenta progressivamente à medida que se caminha
para os limites da província.
A faixa de clima sub-húmido
chuvoso do tipo C2 B'4. w a é muito estreita, sendo bastante mais
extensa a área de clima sub-húmido seco (dos tipos Cl B'4 w a', Cl B'4
d a' e Cl A' d a'). O clima semiárido D A' d a' encontra-se só no
Sul da província, tendo a faixa por ele ocupada maior largura no
Sudoeste (Curoca).
REDE PROVINCIAL DE METEOROLOGIA
Os
serviços de meteorologia são enquadrados pelo Instituto Nacional de
Meteorologia - INAMET que tem uma delegação na cidade do Lubango.
Comparativamente
ao ano anterior, pode-se considerar que a actividade desenvolvida pela
Direcção e demais Técnicos do INAMET foi regular, atendendo à montagem
de novos equipamentos nomeadamente: Barómetro, o Anemómetro, o
Transreceptor, o Psicómetro, Termómetros de Profundidade, Udómetro e
outros meios de apoio.
Os trabalhos prestados pelo INAMET,
resumiam-se na elaboração de observações meteorológicas para áreas de
Aeronáutica, Climatologia e Sinóptica, bem como registo de mapas e
elaboração de boletins agrometerológicos para a Agricultura, Gabinete
de Segurança Alimentar Luanda, instituições humanitárias e outras
solicitações como a Rádio e TPA, etc.
A única estação meteorologia em funcionamento é a do Lubango, junto ao aeroporto da cidade. |
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A vegetação Huilana varia bastante em função dos factores de que depende como, o clima, o tipo de solo e a acção do homem. Assim destaca-se vegetação como: florestas abertas (brachystegia e julbernardia), mata densa (vegetação xerofíticas), balsedos, formação depseudo-estepe, e vegetação constituída por estratos herbosos muito raras em que a espécie predominante é a loudetia simplex.
FAUNA
 Destacam-se na província o elefante, leão, palanca, olongo, guelengue e o búfalo.
Importa frisar a existência do parque Nacional do Bicuar e da reserva florestal do Guelengue e Dondo.
Predominam
na Huíla as formações lenhosas da Hiemilignosa, desde formações de
aparência xerofítica a formações sub-higrofíticas ou mesmo
higrofíticas. Das diversas formações que Gossweiler considera na
Hiemilignosa, duas grandes unidades se destacam, a primeira constituída
pelos povoamentos da zona da ordem florístico-sociológica da "Adansonia
digitata"1 nas regiões de clima semiárido a sub-húmido seco e a segunda
pela mata de panda comunidade Berlinia Brachystegia Combretum -
nas regiões de clima húmido. Na zona fitogeográfica da "Adansonia
digitata", a principal formação é a do mato de Colophospermum Mopane
(mutiati), que ocupa a maior parte da província ao sul do paralelo 15º
30' com excepção da grande mancha de areias entre os vales dos rios
Caculuvar e do Cunene a não ser já muito próximo dos vales.
Ao
longo dos vales do Caculuvar (a jusante da Chibemba) e na região do
Chongoroi Impulo encontram-se formações importantes em que a
"Adansonia digitata" é dominante.
No Nordeste da província
(principalmente em Caconda e nas Ganguelas) e nas áreas a maior
altitude à volta do Lubango (com excepção dos pontos mais altos da
Humpata), o terreno está coberto pela mata de panda, nome por que são
conhecidas as associações de espécies dos géneros Berlinda,
Brachystegia e Combretum, acompanhadas por espécies de Burkea,. Baphia,
Swartia, Maprounea, Parinari e Monotes. A composição destas matas e
ainda o seu aspecto ou fisionomia periódica variam bastante de região
para região, sendo no entanto em geral decíduas (cito - ou
tardidecíduas) ou às vezes subdecíduas.
Encravadas no meio
destas formações, encontram-se formações de Durilignosa (as mais
notáveis das quais na Huíla são as comunidades de Brachystegia
tamarindoides e Cryptosepalum pseudotaxus das Ganguelas) e várias
manchas de Terriherbosa (e savanas de diversos tipos) e de
Ericifruticeta (anharas de ongote). Entre as zonas da mata de panda e
do mato de mutiati encontra-se uma faixa de Hiemilignosa designada na
Carta Fitogeográfica por "Mato de elementos vários com diversas
espécies do género Acácia disseminadas". São várias as associações que
caracterizam este mato, onde predominam espinheiras ou árvores ou
arbustos micrófilos, quase todo o ano sem folhas.
No cimo do
planalto da Humpata e nos pontos mais elevados da serra da Chela junto
do Lubango, a vegetação é constituída por fragmentos de Altherbosa e
nas ravinas das elevações da Humpata por agrupamentos de reduzida
extensão de Podocarpus.
Vulgarmente conhecida em Angola por
embondeiro. Adansonia digitata L da família: bombacaceae. Árvore de
grande porte e impacto visual, devido ao tamanho de seu tronco, que
pode alcançar até 20m de circunferência. Possui flores brancas e suas
sementes podem ser utilizadas na fabricação de canoas e de cabanas.
A
casca é usada na manufactura de vários artigos de uso pessoal e a
madeira, muito aproveitada para certas construções, embora possua pouco
valor quando não é tratada contra os insectos.
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No que se refere aos solos encontram-se na província da Huíla cinco tipos principais.
Os Ferralíticos que representam 3/4 dos
solos da região. Com uma coloração entre o amarelo e o vermelho, são
caracterizados pela forte lixiviação das bases (os metais bivalentes e
mono valentes como Cal e Potássio), portanto, são carentes de minerais
de argila de boa qualidade e de substância orgânica; há falta de
esqueleto; há falta de estrutura por causa da textura rica de areia e
caulino; há boa permeabilidade. No cultivo, precisam de estrume em
abundância ou adubo químico, rotações, pousio etc. Média ou boa
capacidade produtiva. Podem apresentar concreções lateríticas no
perfil, constituindo bancadas mais ou menos duras, negativas para
agricultura. Óptima atitude para pecuária. Os
Fersialíticos, com grau de saturação em bases ( >50 %) e capacidade
de troca catiónica, superiores às dos ferralíticos. No aspecto físico
manifestam uma consistência com tendência para o endurecimento quando
exposto ao ar, precisando-se por isso de muito cuidado no cultivo.
Encontram-se na faixa sub planáltica e na transição para o clima
semi-árido. Por efeito das boas características físico-químicas e média
capacidade de retenção de água, pode-se atingir nestes terrenos
produções elevadas com muitas culturas. Estes solos têm ocorrência
normal na faixa meridional e sudoeste da província. Os
Paraferralíticos que apresentam, face a um menor grau de evolução do
que os ferralíticos, pequenas quantidades de boa argila (2:1), um grau
de saturação em bases mais elevado e melhor estrutura. São férteis. São
solos que relacionam-se com climas húmidos e formas de relevo
movimentado. Encontram-se só no Nordeste da província (Quilengues),
respondem bem a cultivos esgotantes, corno o milho, o algodão e etc. Os
Psamíticos e cromopsômicos, que se relacionam com os depósitos arenosos
de cobertura, de textura sempre grosseira. Geralmente pouco férteis,
têm interesse sobretudo corno pasto. Os
Solos Argilosos, que correspondem aos Barros Negros do Sul da
província, que têm larga representação em todo Sudoeste de Angola, são
os solos que têm a mais elevada capacidade de retenção de água e por
consequência, a mais elevada capacidade produtiva, se cultivados
racionalmente. Perto dos rios, podem aproveitar do regadio para
produções de renda. Chamados Black cotton soil em inglês, podem
oferecer boas produções com quase todas culturas herbáceas,
nomeadamente com cereais e algodão.
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Uma bacia hidrográfica a do rio Cunene domina largamente a província, ocupando quase dois terços da sua área. Nascendo perto do Huambo, o rio Cunene atravessa a província da Huíla com direcção geral norte - sul, dividindo-a aproximadamente a meio, atravessa a província do Cunene, para no extremo sul inflectir para oeste, servindo a partir das cataratas do Ruacaná de fronteira com a Namíbia. De regime permanente, mas muito variável, são enormes os caudais de cheia na época das chuvas e diminutos os caudais na estiagem, principalmente nos anos muito secos.
Ao longo do seu curso são frequentes os rápidos e as cataratas, das
quais as mais importantes são a cachoeira da Matala, a catarata do
Ruacaná e as quedas do monte Negro. Os principais afluentes são, na
margem esquerda, o rio S. Sebastião (e o seu afluente Cussava), o
Cubangue, o Oci e o Chitanda, Calonga ou Colui e, na margem direita, o
rio Cutenda (e seu afluente Catape), o Qué, o Sendi ou Calonga, o
Caculuvar (que, pelo menos no curso inferior, é um rio de regime
intermitente e ao qual vai dar a mulola Mucope), o Chitado e o rio dos
Elefantes (com o seu afluente Chabicua).
O Cubango é outro
grande rio que tem parte da sua bacia hidrográfica na província da
Huíla. Nasce perto do Kuvango e corre até ao paralelo da Kuvango com
direcção geral sensivelmente norte - sul, inflectindo então para
sudoeste. Entre aproximadamente Kuvango e Caiundo serve de limite leste
à província, separando-a do Bié Cuando Cubango. O Cubango é um rio de
regime permanente, mas com grandes variações de caudal ao longo do ano.
No troço compreendido entre Kuvango e Caiundo são frequentes os rápidos e as cachoeiras.
Na
sua margem esquerda tem como principal afluente o rio Cutato das
Ganguelas, cujo curso é quase paralelo ao do Cubango, e que a norte da
confluência é limite da província. Na margem direita os principais
afluentes são o Bale e o Tandaué, que em parte do seu curso serve
também na linha de separação da província da Huíla.
Entre as
bacias hidrográficas do Cunene e do Cubango, que a norte do paralelo
15º contactam uma com a outra, encontra-se a sul deste paralelo a bacia
do Cuvelai. Este rio, de regime intermitente, tem curso definido apenas
para norte do Evale, pois para sul as águas de cheia escoam-se por um
sistema de canais as chanas do Baixo Cunene - que seguem para a
Etocha Pan, não correndo água alguma durante a estiagem. No curso
superior, o Cuvelai recebe água de alguns afluentes, e no curso médio e
inferior, durante a época das chuvas, de algumas mulolas, a mais
importante das quais é a Mui.
No sudoeste da Huíla encontra-se a
bacia do rio Curoca (nome do curso médio e inferior, este já na
província do Namibe), de regime intermitente e que tem como principal
afluente o Otchifengo. A bacia hidrográfica do Curoca ocupa o extremo
noroeste da província.
O rio Coporolo cujo curso superior do
rio separa a Huíla da província de Benguela, é um rio de regime
permanente. Tem como afluentes na margem esquerda os rios Handja e
Impulo.
As bacias hidrográficas que se referiram são as mais importantes da Huíla.
O
escoamento das águas meteóricas recebidas na província faz-se
principalmente para o oceano Atlântico, onde têm a sua foz os rios
Cunene, Curoca e Coporolo. Quanto ao Cubango, as suas águas seguem
também para o Kalahari, desaparecendo do mesmo modo por endoreísmo numa
complexa rede de depressões formada pelos pântanos do Cubango (Okovango
Swamps), o lago Ngami e a depressão Makarikari (Makariakri Pan).
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Todo o território da Huíla se encontra no maciço continental, onde se podem ainda distinguir o soco fundamental (e as rochas eruptivas antigas) e as formações sedimentares continentais.
Os terrenos antigos ocupam cerca de dois terços da área da província
(o Norte e o Ocidente), sendo principalmente constituídos por terrenos
agnostozóicos "Complexo de base", "Sistema do Oendolongo", "Granitos,
granodioritos e quartzodioritos", "Noritos, gabros e peridotitos" e
"Sistema do Bembe" ) e por terrenos paleozóicos ("Rochas eruptivas
pós-Sistema do Bembe", antepérmicas ), apoiando?se, em geral, a leste
daqueles. Encravados em terrenos antigos, aparecem alguns
afloramentos de rochas eruptivas mesocenozóicas (principalmente
doleritos e basaltos). As formações sedimentares continentais são
constituídas por arenitos ferruginosos, silicificados e calcários,
recobertos por mantos de areias de origem eólica ("Recente,
Pleistocénico e Kalahari superior" ).
Os terrenos mais antigos
são formados por rochas sedimentares ou eruptivas altamente
metamorfizadas do Complexo de base, tais como gneisses e xistos (no
Cunene) ou quartzitos e quartzitos ferruginosos (em Cassinga) e do
Sistema do Oendolongo, predominando neste caso as formações do grupo de
natureza siliciosa, quartzitos ferruginosos do tipo banded ironstone,
quartzitos e grés, e ainda xistos e quartzitos pré-cambricos (Ovicapa).
As rochas ígneas antigas são de idade posterior à das formações
sedimentares acabadas de referir, sendo de destacar as grandes
intrusões dos granitos, granodioritos e quartzodioritos, que constituem
o grande batólito do planalto central de Angola e a intrusão
gabro-anortosítica. As rochas destas intrusões têm sido objecto de
vários estudos , mas a delimitação da mancha de gabros e anortositos ,
nas cartas ou esboços até a data publicados , não se pode ainda
considerar aceitável, tendo-se verificado durante o trabalho de campo a
necessidade de corrigir os seus limites, nomeadamente na região do
Pocolo, no Chiconco e no Luceque.
Dentro das rochas ígneas
antigas há ainda a referir a existência de alguns afloramentos de
granitos alcalinos (no Otchinjau, por exemplo) e diversos afloramentos
de doleritos.
O Sistema do Bembe é formado por várias séries
de rochas sedimentares consideradas como pré-cambricas, assentando
sobre os granitos antigos (na Chela) ou sobre o Complexo de base (no
Cunene). A maior mancha deste sistema aparece na Humpata, onde
predominam as rochas gresosas (grés e quartzitos), e os calcários
dolomíticos, tendo também sido assinalada a ocorrência de xistos, todas
estas formações cartografadas como pertencendo à série xisto
calcária. Das outras manchas do Sistema do Bembe, a da Cahama Ediva e
a do Cunene (Iacavala) são pouco importantes e constituídas por xistos,
grés e conglomerados (só nesta última), e na do Curoca, já bastante
extensa, predominam rochas essencialmente gresosas (grits, grés,
quartzitos e por vezes xistos). Esta última mancha prolonga-se para
norte do rio Curoca e inflecte, segundo as cartas existentes, para
leste, aproximando-se do Pocolo, enquanto que para oeste desta povoação
(cerca de 15 km) encontram-se granitos e gneisses.
Das rochas
ígneas pós-Sistema do Bembe há a referir diversos afloramentos
intrusivos de doleritos através de rochas deste sistema (na Humpata) ou
mesmo através dos granitos do Complexo de base.
A idade destes
doleritos foi considerada como antepérmica, quer por Mouta &
O'Donnell, quer por Mouta, mas em publicação posterior deste último
autor admite-se idade mais recente, possivelmente mesocenozóica. Outros
afloramentos de doleritos e rochas afins foram cartografados nas
regiões de Cassinga e Indungo.
No vale do Cunene, junto de
Capelongo, em volta de Cassinga e no vale do Cubango, perto do Caiundo,
encontram-se grandes manchas de porfiritos e pórfiros (granofíricos,
riolíticos e tonalíticos), rochas estas que aparecem também em outras
pequenas manchas a leste do Lubango, a oeste da Chibia e junto da
Missão da Mupa. Em Cassinga ocorrem também grandes massas e filões de
quartzo.
Na região do Curoca são frequentes afloramentos de
doleritos que se admitem mesozóicos. Desta idade são também
considerados os afloramentos de sienitos do Pocolo e da região ao norte
de Kuvango, e os afloramentos de basaltos e/ou doleritos de Impulo,
Chongoroi, Quilengues e Capelongo Matala. A extensão atribuída na
carta geológica aos afloramentos das três primeiras regiões agora
referidas está muito exagerada. Quanto à idade das manchas de rochas
melanocratas de Capelongo Matala, ela é considerada Karroo por Mouta
& O'Donnell ou mesmo pós - Karroo por Montenegro de Andrade.
As
formações sedimentares continentais ocupam o canto sudeste da província
e são constituídas por areias do andar superior do Sistema do Kalahari
e arenitos ferruginosos, silicificados e calcários, recobertos por
areias de origem eólica, incluindo areias do Kalahari redistribuídas.
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A província é rica em, Ferro, Ouro, Caulino, Diamantes, Manganês, Mica, Granito Negro e água mineral.
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